sábado, 12 de setembro de 2015

MOVER-SE

No dia seguinte ao acontecido ainda custava a acreditar no que havia ocorrido mas no fundo o medo pairava sobre a minha mente.
Tentei esquecer tudo aquilo e entreter minha mente com outras coisas e isso foi fácil pois como você, eu também tenho uma vida com deveres e responsabilidades. Tenho um chefe chato e um trabalho cansativo e sempre voltava cansado para a minha casa.
Mas a rotina mudara a partir de meu retorno a minha casa. Meu coração ficava mais agitado como se alguém me observasse.
A primeira coisa que fiz foi colocar a lâmpada da sala em meu quarto mas percebi que aparentemente nenhuma luz funcionava mais lá.Então como uma criança assustada liguei a tv em qualquer canal para iluminar aquele quarto cheio de lembranças do meu amigo.
Algo me fez retomar a leitura sinistra do outro dia,algo mais forte que meu desejo de parar me empurrou para aquela leitura incomum.
Algumas das histórias eram dignas de se transformarem em filmes já outras eram absurdas demais até para um louco.
Foi então que fui parar numa página onde meu amigo relatava está sendo perseguido e observado o tempo todo por algo.Dizia ele que alguma coisa o observava como um fantasma em seus ombros quando ele escrevia suas coisas.
Aos poucos ele começou a sentir uma presença como quando uma pessoa se aproxima devagar por trás de nós e conseguimos sentir o calor de seus corpos ou até mesmo de sua respiração.
Cheguei ao meu limite e parei de ler naquele instante, então pensei em me enrolar em meus lençóis e esperar o sono chegar ou o dia raiar, o que viesse primeiro mas o nervosismo às vezes nos faz querer ir ao banheiro de plena madrugada para saciar nossas necessidades básicas e assim fui ao banheiro.
Tive que passar pelo corredor da cozinha que leva até o banheiro tateando as paredes meio que desesperado tentando achar o interruptor e imaginando que atrás de mim estava a cozinha em plena escuridão.
Todos os filmes de terror que assisti desde a infância vieram a minha mente naquele momento até eu acertar o bendito interruptor do corredor e poder fazer o que tinha que fazer em paz.
Morar sozinho nunca foi tão ruim, isso fez com que pela primeira vez eu pensasse em casamento. A que ponto cheguei?
Voltando ao meu quarto senti um calafrio, isso foi ha alguns segundo de ter saído correndo daquele corredor com o qual nunca achei tão longo.
Eu também senti como se tivesse sendo observado então deitei rapidamente em minha cama e tentei pregar os olhos como de costume mas uma coisa me incomodava, era algo que nunca me perturbou antes, uma pequena brecha entre as duas portas do meu guarda-roupas, uma brecha na qual não passava nem meu dedo mindinho mas mesmo assim parecia que algo me observava de lá e mesmo com a vontade de abrir aquela porta eu não cedi por pensei comigo mesmo que se eu fizesse isso seria o começo de uma jornada aos confins da loucura.
Ao amanhecer me preparei para ir ao cursinho pre-vestibular que eu fazia e acabei levando a folha de papel que continha aquela história pensando em lê-la num lugar aberto para que eu não tivesse medo algum e assim o fiz.
Mas tarde vi o quanto macabro era aquela história que terminava com meu amigo certa hora perguntando a esmo quem o seguia e então de um canto escuro entre um armário e uma estante pernas e braços se contorceram saindo da escuridão, uma criatura com aparência de uma criança de aproximadamente quatro anos mas só parecia pois era branca como uma pessoa sem sangue no corpo e tinha olhos negros profundos como se fossem poços sem fundo.
E essa criatura disse: Vim saber por que você é tão especial, vim saber por que o meu pai quis brincar com você e não comigo.
O ser disse ainda que gostava de observá-lo mas não gostava de ser observado que só entrava em seu quarto quando ele permitia ao sair do mesmo e que sempre continuaria o observando e não queria ser procurado, que era melhor que o deixasse em paz.
Dizia ainda o relato que depois disso um pavor tamanho tomou conta do seu corpo, um calor cresceu em sua nuca e teve a sensação que morreria naquele momento mas apenas desmaiou e ao acordar pensou que essa era ma daquelas histórias que deveria passa adiante por ordem da entidade que o amaldiçoou.
Sabendo disso eu também deveria repassar.
Eu ainda não sei o que é verdade ou fruto da imaginação dele ou da minha mas se eu me sentir sendo observado não terei a coragem dele de perguntar ao vazio "Quem está aí?".

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